Fotos: André Pessoa

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SÃO RAIMUNDO NONATO
PATRIMÔNIO CULTURAL QUE HOJE ATRAI VISITANTES

 
  SÃO RAIMUNDO NONATO-PI

Localizada nos “sertões de dentro” esta pequena cidade piauiense guarda indícios que desde há pelo menos 50.000 anos antes do presente o homem já vivia por estas terras. Neste longo período muitas culturas aqui se fixaram, aqui circularam, aqui deixaram seus registros. Neste longo período aqui viveram caçadores-coletores pré-históricos, os índios Pimenteira, vaqueiros e maniçobeiros. Sociedades que ocuparam este território e deixaram um patrimônio cultural que hoje atrai visitantes do mundo inteiro.

Pesquisas iniciadas na década de 1970 pela Missão Franco-brasileira revelaram que o Homo sapiens-sapiens já estava no continente americano há mais de 50.000 anos atrás. A pesquisa liderada pela arqueóloga Niéde Guidon revolucionou a teoria sobre o povoamento das Américas na pré-história, pois os vestígios encontrados na região indicam que a espécie humana chegou ao continente americano a mais tempo do que a afirmação defendida na chamada Teoria Clóvis. Caçadores-coletores deixaram seus vestígios por toda a região, sendo que hoje no território do Parque Nacional Serra da Capivara existem milhares de sítios arqueológicos que preservam vestígios culturais destes povos: as pinturas rupestres, fogueiras, artefatos de vários materiais.

O traço da identidade do povo da região revelado pela pesquisa arqueológica é apenas um dos muitos traços que compõe a identidade local. A historiadora sanraimundense Ana Stela Oliveira Negreiros retirou do esquecimento a passagem do grupo indígena Pimenteira pela região. Índios forjados no contato com o colonizador europeu se fixaram nas margens do Rio Piauí e por um longo período resistiram ao avanço da civilização branca. Documentos indicam que até o início do século XIX lutaram heroicamente para permanecerem nas terras que eles eram os donos. As “armas e artimanhas” do branco derrotaram os Pimenteira e outros grupos indígenas que viveram na região. Quanto destes índios o sanraimundense guarda em si? A morte da nação Pimenteira foi o extermínio da cultura Pimenteira? São questões que podem ser levantadas ao olharmos o povo, sua culinária e muitos utensílios de barro e de fibras.

No final do século XVII os primeiros currais de gado vacum e cavalar foram instalados na região. Segundo a historiografia Domingos Afonso Mafrense, também chamado de Domingos Afonso Sertão, comandou os primeiros grupos de curraleiros. Mafrense era ligado aos Garcia D Ávila da Casa da Torre na Bahia “grupo de magnatas que colonizaram o Nordeste do Brasil”, Mafrense acumulou extenso latifúndio na região que depois de sua morte em 1711 foram doadas (por testamento) a Companhia de Jesus, com os jesuítas expulsos pelos portugueses as terras passaram para a Coroa. No início do século XIX “sertanistas” massacraram os últimos grupos indígenas da região. No Piauí a violência da colonização foi tão grande que, como nações/sociedades, os grupos indígenas foram exterminados. Claro que a cultura ameríndia permanece viva nas tradições locais: da alimentação à linguagem. O próprio colonizador quando chegou nestas paragens era um mestiço. O vaqueiro é o personagem que caracteriza o Piauí. Protegido pelo gibão entra na caatinga atrás do gado, protegido pela religião entrou na história como o herói do sertão, como o “símbolo da liberdade”. O vaqueiro está na literatura, está nas festas como a vaquejada e no dia-dia do sertão. Porém, hoje, muitos vaqueiros conduzem seu rebanho pilotando uma motocicleta.

No final do século XIX e início do século XX a população da região encontrou uma nova alternativa econômica. Aproveitando o boom da indústria automobilística e elétrica o sertanejo passou a extrair o látex de uma planta da caatinga chamada maniçoba, planta do gênero Manihot. Os maniçobeiros impulsionaram economicamente todo o Piauí, pois até as primeiras décadas do século XX a extração da borracha representou 62% das exportações piauienses. Muitos ocuparam os mesmos abrigos sob rocha, chamados na região de tocas, ocupados pelos primeiros habitantes das Américas e nesta sobreposição respeitaram as pinturas rupestres. Construíram casas de taipa nos mesmos abrigos sem depredar as pinturas, deixando as mesmas como decoração para as casas. São Raimundo Nonato foi elevada a categoria de cidade em 1912 num momento de grande extrativismo da borracha de maniçoba. Na década de 1990 seu território foi dividido com a criação de dezenas de novos municípios, atualmente São Raimundo Nonato é o pólo econômico da microrregião.

Hoje, São Raimundo Nonato é uma cidade sertaneja do século XXI onde é possível perceber a convivência entre o mais moderno e tecnológico com o mais tradicional e artesanal. Da balada a buchada; da lan house ao pintado (prato local) é possível encontrar o moderno e o tradicional por todo lado, lado a lado. O turismo é uma nova oportunidade. Depois da criação do Parque nacional Serra da Capivara já foi instalada na cidade três instituições de ensino superior, entre outras melhorias. O caminho para um serviço dentro dos padrões impostos pelo mercado turístico ainda é longo; os políticos não ajudam e ainda atrapalham. Mas o sertanejo, como afirmou Euclides da Cunha, é “antes de tudo um forte” e a população local demonstra que não vai perder o bonde da história.

Sidrac Sanana, Professor de história e condutor de visitantes no Parque Nacional Serra da Capivara.
 

 
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